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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Perguntas e respostas - Infertilidade Conjugal

Geralmente, quais são as causas de infertilidade do homem e da mulher? O tratamento é mais fácil para homens ou para mulheres?
10 % dos casais são acometidos pela infertilidade conjugal. As causas mais comuns de infertilidade são, para as mulheres, a obstrução tubária (35% dos casos) e os distúrbios de ovulação (15% dos casos). O fator masculino envolve 35 % dos casos de infertilidade, sendo as causas principais problemas relacionados com a produção do espermatozóide e problemas no caminho destes espermatozóides até o óvulo.


Qual o percentual de casos que podem ser revertidos?
O sucesso do tratamento está diretamente relacionado com as técnicas empregadas, variando de acordo com cada clínica. Por exemplo, a Clínica Pró-Criar de Belo Horizonte, com a qual trabalho, possui taxas de sucesso para a inseminação artificial de 10 a 18% por ciclo. Devemos lembrar que a chance de um casal sem nenhum problema para engravidar em um mês fértil é de cerca de 20-22%. As chances de gravidez podem chegar a 50% se o casal realizar 3 a 5 tentativas. Após a quinta tentativa se a gravidez não ocorre, deve pensar em se utilizar novos métodos. A fertilização in vitro (FIV) que consiste em manipular os espermatozóides e os óvulos em laboratório com o intuito de se gerar embriões, pode levar a gravidez em 20 a 35% por tentativa, dependendo principalmente da idade da paciente


A partir de que idade a gestação se torna mais difícil e arriscada? (Ex.: mulheres com mais de 40 anose crianças/adolescentes (10, 11 anos...).
A fecundidade da mulher declina após os 35 anos. O homem produz espermatozóides a vida toda porem após os quarenta anos começa a diminuir sua produção. Os períodos extremos da idade fértil feminina são os que possuem maior chance de complicações, como na menarca, quando adolescente menstrua pela primeira vez, quanto após os quarenta anos, quando aumentam os riscos de malformações e outras complicações como a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional. Meninas novas devem evitar gravidez, porque ainda estão em fase de desenvolvimento tanto do corpo quanto da mente. Nesta fase é maior o risco de pré-eclâmpsia e trabalho de parto prematuro. Mulheres após os quarenta anos deveram fazer o pré-natal com extremo cuidado e constates avaliações.


Quais são os tratamentos disponíveis atualmente, para reverter casos de infertilidade (masculino e feminino)?
Para os homens os tratamentos deveram estar relacionados com as causas como a produção de espermatozóides diminuída, quando serão necessários uso de antibióticos para tratamento de processos infecciosos, cirurgias para tratamento de varizes da bolsa escrotal, o uso de hormônios, ou seja, dependerá do diagnóstico. Para as mulheres pode ser necessário procedimentos cirúrgicos para liberar aderências de trompas ou para a recanalização tubária, quando necessário. No caso da falta de ovulação existem tratamentos para se induzir a ovulação. No âmbito do laboratório de infertilidade podemos realizar desde o coito programado com indução da ovulação e rastreamento pelo ultra-som, passando pela inseminação artificial, a fertilização in vitro e até a injeção intra-citoplasmática de espermatozóides. Em verdade cada caso é um caso...


Quem tem ovários policísticos tem dificuldade para engravidar?
Em torno de 15 % das mulheres, em nosso meio sofrem de ovários policísticos. Esta condição pode levar a infertilidade quando está associada com a anovulação, o que dificulta a gravidez. A maioria dos casos pode ser revertida com os tratamentos atuais.


Mulheres que tiveram câncer de colo de útero, se fizerem o tratamento de quimioterapia e ficaram curadas podem engravidar?
Infelizmente o tratamento para o câncer de colo uterino passa na maioria das vezes pela retirada do útero e os ovários, o que leva a infertilidade sem maneiras de reversão. Quando se faz tratamento com quimioterapia é porque a doença é avançada ( a partir do estágio II).


Qual a média de preços dos tratamentos para reverter casos de infertilidade? O SUS banca o tratamento?
O tratamento para a infertilidade envolve o uso de medicamentos e técnicas caras. Uma inseminação artificial pode custar desde R$1.000,00, por ciclo. Uma fertilização in vitro pode custar algo em torno de R$ 15.000,00 a R$ 18.000,00. Algumas faculdades federais, como a de Minas Gerais fazem o tratamento.


Existem maneiras de prevenir a infertilidade – para homens e mulheres? Se existem, quais são elas?
Como a principal causa de infertilidade para as mulheres é a obstrução tubária e em nosso meio isto geralmente está relacionado com doenças sexualmente transmissíveis, é importante evitá-las, por meio de comportamento seguro em relação ao sexo – usar camisinha e evitar múltiplos parceiros. Como a fertilidade feminina começa a diminuir a partir dos 35 anos, ela deveria evitar postergar a gravidez. Isto é difícil em alguns casos, pois a mulher moderna trabalha, estuda, faz pós-graduação... Em relação aos homens, eles devem também praticar o sexo seguro para prevenir infecções genitais e criar o hábito de consultar com um urologista anualmente.


O uso de métodos contraceptivos por um longo período podem desencadear a infertilidade?
Até hoje, na literatura médica não se verificou este fato. Os anticoncepcionais modernos são seguros, de baixa dosagem e na maioria das vezes a fecundidade se restabelece após sua interrupção.


Homens que se submetem ao procedimento de vasectomia podem reverter o quadro? Neste caso, os riscos de infertilidade aumentam?
Uma vasectomia pode ser revertida, porém em pequena porcentagem dos casos. A técnica da vasectomia é realizada para se evitar uma recanalização espontânea e por isto deve ser realizada apenas quando o homem está seguro de que já constituiu sua prole. Uma dificuldade de reversão pode ser tratada com a biópsia testicular, que busca espermatogônias (células primordiais dos espermatozóides) no tecido testicular para posterior maturação e realização de FIV.

Planejamento Familiar – Aspectos Gerais

O planejamento familiar é um conjunto de medidas a serem adotadas por um casal, que visam obter o controle pleno de suas vidas. Uma família deve ser constituída dentro em um planejamento, ou seja, um homem e uma mulher se unem para formar um lar, montam uma casa e tem filhos dentro e entre períodos de tempo desejados, sem sobressaltos, ou seja, é realizado um planejamento familiar.

Vivemos um mundo altamente competitivo, não basta mais só criar filhos. Eles têm que ser educados e preparados para o mercado de trabalho. Precisam estudar em boas escolas e para isto uma família estruturada é importante, até porque os pais precisam participar do processo educacional de seus filhos. Necessitam de uma boa alimentação, que forneçam nutrientes adequados, nas quantidades necessárias, e com variedade – proteínas, carboidratos, vitaminas, sais minerais e lípides bem distribuídos nas refeições. Sem falar nas necessidades de se vestir adequadamente – sem mais nem menos. O lar deve ser confortável e digno.

Quando uma família se inicia sem planejamento, ou seja, uma gravidez ocorre em uma fase de vida a qual o casal não está preparado, aumentam-se os riscos para a saúde da mulher, pois seu corpo pode não estar ainda preparado para a gravidez. Isto ocorre em adolescentes, mulheres com doenças que não estão controladas, como a hipertensão arterial, o diabetes, doenças cardíacas, doenças renais. Para o homem uma gravidez não desejada pode ocorrer em uma fase em que ele ainda não se formou na escola, não definiu sua carreira, enfim, ainda depende de seus pais.

O planejamento familiar deve ser feito pelo casal. Ainda hoje, na maioria das vezes é a mulher a responsável por usar os métodos contraceptivos. Não apenas a mulher pode fazer uso de métodos. O homem também deve fazer parte do processo de escolha adequado e até ser o usuário do método, sabendo que seu uso não implica em perda da virilidade.

O médico ginecologista é o profissional de escolha para o casal tomar conhecimento dos métodos contraceptivos, suas vantagens e efeitos colaterais e escolher o método de acordo com a necessidade do momento.

CRC - Clínica Dr. Ronaldo de Carvalho

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O papel da mulher em nossa sociedade

A mulher atualmente está cada vez mais assumindo novos desafios e compromissos na sociedade. Atualmente ela preside paises (Alemanha, Chile, não esquecendo de Margareth Thatcher, que governou a Gran Bretanha por 12 anos), concorre à presidência da maior potência mundial (EUA), assume reitorias de universidades e presidências de grandes empresas.

Porém no passado não era assim.Quando olhamos o período clássico, Platão, um dois maiores pensadores da Grécia antiga, considerava as mulheres seres de alma inferior. Este pensamento perdurou por séculos.

Até o século 16, seu papel era apenas o cuidar da casa e neste papel ela nascia, crescia e envelhecia.

A partir do século dezoito conquistou o direito à educação, inicialmente nos estágios básicos e com o tempo passou a atingir níveis acadêmicos mais elevados.

Seu papel foi ganhando importância, passando a trabalhar em fábricas, porém com direitos ínfimos e aviltantes. O dia internacional da mulher foi instituído em homenagem a trabalhadoras de uma fábrica nos EUA que defendiam direitos trabalhistas básicos, como a redução da jornada de trabalho (de 14 para 12 horas!) e a instituição da licença maternidade. Após confronto com a policia, foram trancadas dentro da fábrica em que trabalhavam e queimadas vivas em um incêndio de origem suspeita.

No Brasil, o direito ao voto, algo corriqueiro atualmente, só foi conquistado no meio do século passado. Na medicina, a primeira médica formada, Dra. Rita Lobato, exerceu sua profissão sob os olhares desconfiados até de mulheres.

Em 1945 elas obtiveram igualdade de direitos em relação aos homens e em 1951 a Organização Internacional do Trabalho passou a exigir os mesmos direitos trabalhistas, sem diferenças de gênero.

Os avanços continuam. Hoje temos as mulheres como maioria nas universidades, aumentando sua participação, cada vez mais, na pós graduação, mestrados, doutorados e pós doutorados.
Porém nas empresas, quanto maior é o nível hierárquico, menor a presença de mulheres. Segundo o jornal O Globo, o Brasil tem um dos piores índices de representação de mulheres no poder público, com uma média que chega a ser inferior a dos países árabes, região considerada como uma das mais problemáticas em termos de direitos das mulheres.

Apesar de já maior o número de mulheres que de homens, ocupamos a 146ª posição em um ranking sobre a participação das mulheres nos Parlamentos em 192 países do mundo, divulgado pela organização internacional União Interparlamentar, com sede em Genebra, na Suíça. No Senado, temos 10 mulheres entre os 81 senadores (12,3% do total). No governo temos apenas três mulheres entre os 35 ministros de estado.

Tenho certeza que um mundo com maior participação das mulheres será um mundo mais tolerante, menos violento e conseqüentemente mais seguro. Avante mulheres!

Dr. Ronaldo de CarvalhoGinecologista e Obstetra.